Pular para o conteúdo

Da África para a Bahia, dos terreiros para as ruas, das ruas para os estúdios e palcos de todo o país. Retomando o caminho que o ijexá percorreu, temos a primeira tentativa de transpor o ritmo para uma gravação em 1929, com a música “Babaô Miloquê”, gravada pelo cantor, compositor e instrumentista baiano Josué de Barros e a Orquestra RCA Victor Brasileira, no Rio de Janeiro.
A música, conhecida como o primeiro ijexá gravado em estúdio, foi arranjada pelo grande maestro Pixinguinha e lançada no ano de 1930. A partir daí, o ijexá foi sendo gravado e apresentado nos palcos por outros artistas como Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Clara Nunes, influenciando e também sendo influenciado, por tantos outros.
É importante lembrar o papel essencial dos afoxés na divulgação e preservação desse ritmo, que a partir da década de 70, passou a ser uma forte referência para a música popular brasileira. Abaixo segue uma lista de sugestões que você pode pesquisar na internet ou procurar na coleção de discos da sua família. Você vai reconhecer as referências e aprender ainda mais sobre o ijexá!

BABAÔ MILOQUÊ (Josué de Barros. ORQUESTRA RCA VICTOR, 1930)
Conhecida como primeiro ijexá gravado no Brasil, a música do compositor baiano Josué de Barros foi lançada em janeiro de 1930. Acompanhado pela Orquestra Victor Brasileira, Josué de Barros contou nessa gravação com arranjos de Pixinguinha. Em 2014, através do projeto Goma-Laca, Russo Passapusso regravou a canção com direção musical do maestro Letieres Leite.

AFOCHÉ (Dorival Caymmi. TENDA DOS MILAGRES, 1985) Canção de Dorival Caymmi, sem data definida, mas sabe-se que composta pelo menos em 1947, já que aparece em seu livro “Cancioneiro da Bahia”, publicado nesse ano. Foi gravada primeiro pela cantora e atriz Vanja Orico, em 1964. Em 1985, a música foi gravada pelo próprio Caymmi, para a trilha sonora da série Tenda dos Milagres, da Rede Globo, lançada pela Som Livre.

FILHOS DE GHANDY (Gilberto Gil. GIL & JORGE. OGUM, XANGÔ, 1975)
Composta por Gilberto Gil, pelo que se sabe, pelo menos em 1973, já que foi apresentada por ele e Jorge Ben (Jor) no festival Phono 73, mas só foi gravada no disco que eles lançaram em 1975. A música é basicamente tocada pelos violões de Gil e Jorge, marcados por um agogô e caxixis ao fundo. A letra saúda e clama a diversos orixás, o Senhor do Bonfim e até o “Pai do Céu” para que chamem todo o pessoal pra ver o Filhos de Ghandy.

PATUSCADA DE GHANDY (Gilberto Gil. REFAVELA, 1977)
Música gravada no disco Refavela, de 1977, onde o ritmo aparece na forma mais “original”, tendo os instrumentos anunciados pelo cantor no início da música, à medida que vão sendo tocados, precedidos sempre por um apito, tradicional do grupo homenageado, na seguinte ordem: xequerê, agogô, rum (tambor), chocalho e tamborim. O arranjo foi composto apenas pelos instrumentos anunciados, voz do cantor e coro, próximo ao formato musical tradicional.

BELEZA PURA (Caetano Veloso. CINEMA TRANSCENDENTAL, 1979)
Nas palavras do próprio Caetano Veloso, no livro “Letras” (2021), esse ijexá é uma saudação ao início da tomada de Salvador pelos pretos, que a partir dos anos 70, promoveram uma verdadeira revolução cultural na cidade através dos blocos afro. Foi gravada também pelo grupo A Cor do Som no mesmo ano. Além dessa faixa, no mesmo disco, Caetano também gravou outra canção influenciada pelo ijexá, a “Badauê”, de Môa do Katendê.

IJEXÁ (Clara Nunes. NAÇÃO, 1982)
Canção do compositor baiano Edil Pacheco, gravada no último disco de Clara Nunes, “Nação”, em 1982. Muito influenciada pela religiosidade afro-brasileira, Clara foi uma das artistas que mais divulgou as tradições musicais ligadas ao povo de santo. Essa música, teve um videoclipe gravado em Salvador, com a participação do afoxé Filhos de Ghandy.